

A Mulher da Porta
História que ouvi de minha mãe, contada como aconteceu em um pequeno vilarejo.
— Benta, já não sei mais o que fazer. O menino já faz dias que está de cama, e nem mesmo o curandeiro conseguiu curá-lo. — Oh, Janice… estou pedindo a Nossa Senhora por ele. Tenho fé de que logo meu afilhado estará bem. Janice suspirou, aflita. — Como assim, Benta? É a Jesus que você tem que pedir. Benta se calou. Voltou para casa e permaneceu fiel em sua oração. Dias depois, Janice apareceu eufórica, batendo à porta de Benta. — Que foi, mulher? Que desespero é esse? Não me diga que… — Não, comadre! — respondeu Janice, quase sem fôlego. — O menino já está na roça com o pai, forte como um touro! Benta sorriu de uma orelha a outra, juntou as mãos e agradeceu. — Comadre Benta, a senhora me ajuda a encontrar a mulher que me deu o chá que curou meu menino? — Que mulher, Janice? — Há dois dias, uma mulher bateu à minha porta e me entregou um chá. Disse que aquilo curaria meu filho. No desespero, eu o dei sem titubear. Quando voltei para agradecê-la… ela já não estava mais. Janice continuou: — Saí à procura dela por quase todo o vilarejo, mas ninguém a viu. Ninguém sabe quem é essa mulher. Benta, comovida com o relato da comadre, ajoelhou-se ali mesmo e, em silêncio, rezou uma Ave-Maria. Depois daquele dia, Janice tornou-se uma devota incontestável de Nossa Senhora. E no vilarejo, por muito tempo ainda se falou da mulher que levou o chá — uma mulher que ninguém conhecia… e que ninguém jamais voltou a ver. Alguns diziam que ela nunca pertenceu àquele lugar
Neilza Santos
Enviado por Neilza Santos em 05/03/2026
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