Neilza Santos

Crescer significa mudar e mudar envolve riscos, uma passagem do conhecido para o desconhecido.

Textos

A Mulher da Porta
História que ouvi de minha mãe, contada como aconteceu em um pequeno vilarejo.

— Benta, já não sei mais o que fazer. O menino já faz dias que está de cama, e nem mesmo o curandeiro conseguiu curá-lo.

— Oh, Janice… estou pedindo a Nossa Senhora por ele. Tenho fé de que logo meu afilhado estará bem.

Janice suspirou, aflita.

— Como assim, Benta? É a Jesus que você tem que pedir.

Benta se calou. Voltou para casa e permaneceu fiel em sua oração.

Dias depois, Janice apareceu eufórica, batendo à porta de Benta.

— Que foi, mulher? Que desespero é esse? Não me diga que…

— Não, comadre! — respondeu Janice, quase sem fôlego. — O menino já está na roça com o pai, forte como um touro!

Benta sorriu de uma orelha a outra, juntou as mãos e agradeceu.

— Comadre Benta, a senhora me ajuda a encontrar a mulher que me deu o chá que curou meu menino?

— Que mulher, Janice?

— Há dois dias, uma mulher bateu à minha porta e me entregou um chá. Disse que aquilo curaria meu filho. No desespero, eu o dei sem titubear. Quando voltei para agradecê-la… ela já não estava mais.

Janice continuou:

— Saí à procura dela por quase todo o vilarejo, mas ninguém a viu. Ninguém sabe quem é essa mulher.

Benta, comovida com o relato da comadre, ajoelhou-se ali mesmo e, em silêncio, rezou uma Ave-Maria.

Depois daquele dia, Janice tornou-se uma devota incontestável de Nossa Senhora.

E no vilarejo, por muito tempo ainda se falou da mulher que levou o chá — uma mulher que ninguém conhecia… e que ninguém jamais voltou a ver.

Alguns diziam que ela nunca pertenceu àquele lugar
Neilza Santos
Enviado por Neilza Santos em 05/03/2026
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