

Discrepância
Há uma incógnita que habita meu pensamento.
Dizem que o mundo mudou, e sim, há sinais de transformação. Mas, paradoxalmente, há coisas que não mudam — e isso me causa riso amargo. Vejo pessoas caçando suas raízes europeias, ostentando com orgulho o sangue italiano, alemão, ou qualquer linhagem coroada de nobreza. O brilho em seus olhos é de quem acredita pertencer a algo maior. E, no entanto, raramente vejo o mesmo orgulho na pele marcada pela ancestralidade africana, ou na memória viva dos povos indígenas. O que encontro, muitas vezes, é silêncio, é rejeição, é o peso da vergonha fabricada. E isso me fere, porque negar a própria raça é apagar a própria história — e com ela, a possibilidade de se reinventar.
Neilza Santos
Enviado por Neilza Santos em 29/09/2025
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